A verdade sobre o consumo de café

Artigo de Dráuzio Varela na Folha de São Paulo:

São Paulo, sábado, 02 de junho de 2012
DRAUZIO VARELLA

O café e a longevidade

O efeito protetor foi diretamente proporcional ao número de xícaras ingeridas diariamente

Antes do primeiro café da manhã, sou um arremedo de mim mesmo.

Assim que acordo, sou capaz de executar tarefas mecânicas e de correr duas horas seguidas, mas qualquer esforço intelectual antes da xícara de café com leite é um fardo insuportável. Meu cérebro permanece em modo contemplativo até a cafeína cair na circulação.

No meio da manhã, já em plena atividade, sinto uma necessidade louca de repetir a dose; pouco mais tarde, a vontade retorna, irresistível. Se não soubesse que a cafeína tem vida longa no organismo, a ponto de o cafezinho das cinco da tarde interferir no sono da noite, seria daqueles que só vão para a cama depois de tomar o último.

Por culpa desse efeito estimulante, tomar café não faz parte do assim chamado estilo de vida saudável. Como a cafeína está ligada a aumentos do LDL (o “mau” colesterol) e a elevações transitórias da pressão arterial, sempre houve suspeita de que pudesse aumentar a incidência de doenças cardiovasculares, como os infartos e os derrames cerebrais.

Os resultados dos estudos já realizados, no entanto, foram heterogêneos e inconsistentes com essa hipótese. Pelo contrário, alguns mostraram existir relação inversa entre o consumo de café e o aparecimento de doenças inflamatórias, diabetes, derrames, infartos e ferimentos acidentais. Mas, até aqui, nenhum inquérito populacional havia conseguido relacionar os níveis de consumo diário com a mortalidade.

Para responder se quem toma café vive menos tempo, um grupo americano dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) acaba de publicar o estudo mais completo sobre o tema.

Por meio de um questionário, foram incluídos na pesquisa 229.119 homens e 173.141 mulheres saudáveis de ambos os sexos, com idades entre 50 e 71 anos. A avaliação inicial compreendia 124 itens relacionados com o estilo de vida e a dieta: consumo de vegetais, frutas, gordura saturada, carne vermelha ou branca e o total de calorias ingeridas.

Dos participantes, 79% tomavam café de coador, 19% café instantâneo, 1% expresso e 1% não especificou o modo de preparo. De acordo com o número de xícaras tomadas diariamente, o grupo foi dividido em dez categorias.

Comparados com os que não tomavam café, entre os consumidores havia mais fumantes, mais gente que tomava três drinques ou mais por dia e ingeria quantidades maiores de carne vermelha. Também tendiam a apresentar nível educacional mais baixo, a praticar menos exercícios extenuantes e a comer menos frutas, vegetais e carne branca. Por outro lado, havia menos casos de diabetes entre eles.

Durante os 14 anos de seguimento dessa população, foram a óbito 33.731 homens e 18.784 mulheres.

De início, os dados pareciam mostrar que o consumo de café estaria associado ao aumento da mortalidade. Depois de eliminar fatores como cigarro (especialmente), sedentarismo e obesidade, entretanto, ficou claro haver uma relação inversa: quanto mais café, menor o número de mortes.

Além de diminuir a mortalidade geral, tomar café reduziu a mortalidade por diabetes, doenças cardiorrespiratórias, derrames cerebrais, ferimentos, acidentes e infecções. As mortes por câncer não foram afetadas.

O efeito protetor foi diretamente proporcional ao número de xícaras ingeridas diariamente. A diminuição mais acentuada da mortalidade aconteceu no grupo de seis xícaras ou mais por dia: redução de 10% nos homens e de 15% nas mulheres. Essa associação foi independente da preferência por café descafeinado ou não, sugerindo que a proteção não ocorre por conta da cafeína.

Caro leitor, você deve estar cansado de ler artigos pseudocientíficos que apregoam as vantagens de determinados alimentos. A internet está abarrotada de sites e de mensagens que se propagam feito vírus, exaltando os benefícios do alho, do limão, da alface, do tomate orgânico, da berinjela, e por aí vai.

O estudo que acabei de apresentar foi aceito para publicação na “The New England Journal of Medicine”, a revista médica de maior circulação, porque é o mais completo já realizado sobre o assunto.

Na manhã em que recebi a revista, fazia frio. Quando terminei a leitura do artigo, tomei o segundo café. Uma hora mais tarde, enquanto escrevia a coluna, tomei o terceiro. No final, o quarto, só para comemorar.

Notícias Médicas

Sobre o Mendeley (1)

Vocês conhecem o Mendeley?

O Mendeley é um software/site de compartilhamento e gerenciamento de artigos científicos. Funciona como uma espécie de “Youtube” científico.

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Essa ferramenta extraordinária foi desenvolvida por pesquisadores londrinos no fim dos anos 2000. Permite a edição de arigos em PDF e a inserção de referências bibliográficas nos seus trabalhos (como faz o Endnote), mas com uma grande vantagem: é GRATUITO!

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Pesquisa Médica

Enxaqueca: passos preciosos que podem prevenir a dor

Do Blog COMER SEM CULPA (http://comersemculpa.blog.uol.com.br/)

Apesar dos registros tão contraditórios nos gatilhos da dor de cabeça, podemos orientar, de uma maneira geral, que os pacientes com enxaqueca:

(1)    Façam suas refeições com intervalos regulares, de preferência 3 refeições e 2-3 lanches diários evitando longos intervalos entre elas;

(2)    Bebam água com regularidade, uma vez que quando a sede aparece, isto significa que já ocorreu depleção de água no organismo e estamos desidratados;

(3)   “Não durmam mais ou menos”, procurem manter suas horas de sono semelhantes, tanto na semana, quanto nos finais de semana;

(4)    Evitem o consumo de bebidas alcoólicas;

(5)    Façam atividade física, principalmente com alongamentos que privilegiem a coluna cervical. Nas crises de dor, deve-se evitar o esforço físico e mental;

(6)   Não tirem conclusões precipitadas ou baseadas em um único episódio de dor, pois correm o risco de  relacionar um alimento muito apreciado com a      enxaqueca, sem que isso seja verdade. É recomendável observar, outras vezes, a influência desse alimento;

(7)   Evitem o consumo de mais que 2-3 xícaras de café expresso ou 3-4 cafés comuns ao dia. Se existir o consumo abusivo de café, a redução deve ser lenta e  gradual;

(8)  Evitem a auto-medicação e procurem a orientação de um neurologista para acompanhar seu tratamento.

Além das orientações acima, a alimentação das pessoas com enxaqueca deve ser individualizada, privilegiando e atendendo às necessidade básicas de cada um e baseada numa profunda avaliação de cada paciente sobre si mesmo.

Geral

Fator de Impacto de uma revista científica

Do excelente Blog de Metodologia Científica e Tecnologia (http://comunidade.ctea.med.br/tecnologia/)

Dentro do mundo da ciência existem vários coeficientes que quantificam a repercussão de um artigo, de um autor, ou ainda, de um periódico. Esses números nos dão uma idéia de como o objeto de estudo está sendo aceito pelos pares. Também ajuda quem não tem conhecimento na área saber a importância de um periódico ou autor. Por exemplo, até alguém que não sabe nada sobre medicina consegue verificar facilmente que o periódico mais citado é o The New England Journal of Medicine. O coeficiente científico mais usado é o número de citações. Citações é quando um outro autor cita um determinado artigo nas referências bibliográficas. O número de vezes que um artigo ou autor é citado na literatura está diretamente ligado com a sua repercussão, seja ela positiva ou negativa. É através do número de citações que se calcula o fator de impacto dos periódicos. O fator de impacto significa o número de citações que um periódico tem num período de dois anos dividido pelo número de artigos publicados.

Por exemplo: se nos últimos dois anos uma determinada revista publicou 100 artigos que tiveram 200 citações o seu fator de impacto é 2.

Pesquisa Médica

Sites Médicos (18) Medicina Baseada em Evidências

A dica de hoje é o Blog Medicina Baseada em Evidências.

O Blog é mantido pelo Dr Luís Cláudio Correia que é Professor Livre Docente em Cardiologia – UFBA; Doutor em Medicina e Saúde; Professor Adjunto da Escola Bahiana de Medicina; Médico Cardiologista

Vale a pena conferir: http://medicinabaseadaemevidencias.blogspot.com/

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